Câmeras e privacidade

Campinas ativa câmeras 360° em 2 avenidas com histórico de acidentes

A partir de 10 de agosto de 2026, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) passou a monitorar remotamente dois pontos com histórico grave de acidentes — a Avenida Benjamin Constant e a Avenida John Boyd Dunlop — com câmeras de giro 360° operadas por agentes de trânsito. A decisão se soma a outros 19 pontos de fiscalização por câmera já ativos na cidade.

Câmera de fiscalização e antena instaladas em braço de semáforo sobre avenida, com placa de via ao lado
Câmera de detecção instalada em braço de semáforo sobre uma via — imagem ilustrativa do tipo de equipamento usado em fiscalização remota de trânsito, sem relação com os pontos específicos de Campinas. Foto: Millertime83 / Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

Por que esses dois pontos, e não outros

A Emdec usa a recorrência de acidentes como um dos critérios para decidir onde instalar fiscalização por câmera — ao lado do volume de tráfego, da circulação de pedestres e do registro de condutas irregulares. Na Avenida Benjamin Constant, próximo ao Terminal Mercado, foram identificados 12 sinistros no período analisado, além de estacionamento irregular recorrente e uso indevido da faixa exclusiva de ônibus.

Já na Avenida John Boyd Dunlop, junto à Estação BRT Ipaussurama, o histórico é mais grave: 63 sinistros entre 2023 e 2026, sendo 31 com vítimas feridas, 25 sem vítimas, 5 atropelamentos e 2 fatais. A câmera nesse trecho monitora os dois sentidos da via, com foco em coibir o uso indevido do corredor exclusivo, principalmente por motociclistas.

Close-up de câmera de fiscalização amarela instalada em poste, contra o céu azul
Detalhe de uma câmera de fiscalização de trânsito — imagem ilustrativa, sem relação com o equipamento específico instalado em Campinas. Foto: Hullian111 / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Como funciona a fiscalização remota, na prática

As câmeras têm giro de 360 graus e ficam sob controle de agentes de trânsito no Centro de Controle Operacional de Trânsito e Transporte (CCO) da Emdec. Além de registrar infrações — a chamada fiscalização eletrônica —, o sistema permite acompanhar à distância situações que afetam o fluxo viário: veículos quebrados, sinistros, lentidão e semáforos intermitentes, entre outras ocorrências.

Segundo a Emdec, os outros 19 pontos de fiscalização por câmera já ativos na cidade identificaram, só entre janeiro e julho de 2026, 18,1 mil condutas de risco — 7,7 mil por transposição de pista e 5,1 mil por uso irregular de faixa exclusiva de ônibus. Esses pontos estão distribuídos principalmente pelo centro (7), pelo eixo da Amoreiras (4), pelo Aeroporto de Viracopos (2), pela Torre do Castelo (2) e mais alguns cruzamentos isolados. Todos os locais monitorados têm placa informando a presença da câmera.

Sala de controle de trânsito com vários operadores em computadores e parede de telas mostrando câmeras de tráfego
Central de controle de trânsito com monitoramento por câmeras — imagem ilustrativa de uma central em Bangalore, na Índia, sem relação com o CCO da Emdec em Campinas. Foto: Bharathiya / Wikimedia Commons · CC0 (Domínio público)

O que esse tipo de câmera costuma flagrar

Nos dois novos pontos, a Emdec já registrou, durante a fase de testes, travessias irregulares de pedestres, motocicletas paradas de forma inadequada e uso indevido da faixa exclusiva para ônibus — o mesmo tipo de infração que motiva boa parte dos 5,1 mil casos identificados nos outros 19 pontos da cidade. Em vias com corredor de ônibus, o padrão internacional desse tipo de fiscalização é justamente flagrar veículos particulares circulando ou estacionando na faixa reservada, fora do horário permitido.

Placa de sinalização informando fiscalização por câmeras em faixa exclusiva de ônibus, em rua urbana
Sinalização de faixa exclusiva fiscalizada por câmera — imagem ilustrativa de uma via em Londres, no Reino Unido, sem relação com a sinalização usada em Campinas. Foto: Andrew Nash / Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0

O que ainda não está claro

A reportagem que originou este caso não detalha a marca, o modelo ou a resolução das câmeras instaladas nos dois novos pontos, nem o custo da instalação. Também não é possível confirmar, pela fonte, se esse sistema específico inclui leitura automática de placas (ALPR) — o que foi descrito é fiscalização de infração por vídeo (faixa exclusiva, transposição de pista), não identificação automática de veículos por placa.

O que esse caso mostra sobre videomonitoramento urbano

O caso de Campinas ilustra um padrão que tende a se repetir em outras cidades da região: em vez de cobrir a malha viária inteira de uma vez, o poder público prioriza pontos com histórico real e documentado de acidentes — dado de sinistralidade, não achismo — para decidir onde investir em câmera de fiscalização. Para quem acompanha o tema de videomonitoramento urbano, é outro exemplo de como o valor do sistema está menos na câmera isolada e mais na combinação entre dado histórico, operação remota centralizada e resposta rápida da equipe em campo.