Campinas ultrapassa 2 mil câmeras privadas integradas ao monitoramento da Guarda Municipal
Dados atualizados até 18 de agosto de 2026 mostram que o programa Monitora Campinas já integra 2.062 câmeras de 301 parceiros privados ao sistema de monitoramento da Guarda Municipal — um salto em relação às 27 câmeras que abriram o programa, em dezembro de 2021. Entenda quem pode participar, o que é compartilhado e o que muda quando um porteiro ou vigilante aciona um alerta.

O marco de 2 mil câmeras
A Prefeitura de Campinas confirmou que o programa Monitora Campinas passou da marca de 2 mil câmeras privadas integradas ao sistema de monitoramento da Guarda Municipal, com dados de referência atualizados até 18 de agosto de 2026: são 2.062 câmeras, distribuídas entre 301 parceiros em 97 bairros da cidade. Outros 76 pedidos de participação seguem em análise pela administração municipal.
O programa nasceu pequeno: dezembro de 2021, com 27 câmeras. A marca de 2 mil não veio de um salto único — é o resultado de cinco anos de adesão gradual de condomínios, empresas e outras entidades privadas.

Quem pode aderir, e o que muda no dia a dia
Podem participar do Monitora Campinas condomínios residenciais e industriais, loteamentos fechados regularizados, estabelecimentos comerciais e industriais com grande circulação de pessoas, instituições bancárias, postos de combustível, universidades, centros de pesquisa, parques tecnológicos e outras pessoas jurídicas — mediante avaliação da Prefeitura. A adesão é gratuita: não gera custo para o parceiro além de instalar e manter seu próprio sistema de câmeras, e não representa ônus financeiro para os cofres municipais.
Só imagens voltadas para áreas externas — a vista da câmera para a rua — entram no compartilhamento. Filmagens do interior de um condomínio, loja ou indústria não fazem parte do programa.
O mecanismo de acionamento é humano, não automático: quando o parceiro, um porteiro ou um vigilante identifica algo fora do normal, ele envia um alerta por um aplicativo específico. Do outro lado, um guarda municipal de plantão na central de monitoramento recebe o aviso, acessa a câmera daquele ponto em tempo real e orienta a resposta — seja despachar uma viatura, seja repassar a ocorrência à polícia.

De 27 a 2.062: o crescimento ano a ano
A trajetória do programa, informada pela Prefeitura, mostra crescimento constante desde o lançamento:
- 2021 (lançamento, dezembro): 27 câmeras
- 2022: 457 câmeras
- 2023: 892 câmeras
- 2024: 1.323 câmeras
- 2025: 1.727 câmeras
- 2026: 2.062 câmeras
Quem administra o programa
O Monitora Campinas está sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública. A integração das imagens acontece na Cimcamp — Central Integrada de Monitoramento de Campinas —, onde ficam os guardas municipais que recebem os alertas dos parceiros e acessam as câmeras compartilhadas.
Vale uma comparação histórica para dimensionar a escala: em 2022, quando o programa tinha 216 câmeras de parceiros privados, a Cimcamp operava também cerca de 500 câmeras públicas próprias, somando 716 equipamentos de vigilância na cidade — e o programa, na época, dizia beneficiar mais de 6.685 imóveis com a cobertura das câmeras parceiras. Esses números de câmeras públicas e imóveis beneficiados não foram atualizados nas informações mais recentes da Prefeitura, então a comparação direta com 2026 não é possível — mas dá a régua do quanto só a fatia privada do sistema cresceu nesses quatro anos.

O que o Monitora Campinas não é
Vale uma distinção que costuma gerar confusão quando o assunto é rede de câmeras integrada a órgão público: o Monitora Campinas não faz reconhecimento facial nem identificação biométrica automática de quem passa na rua. O acionamento depende de uma pessoa — o parceiro ou seu funcionário — perceber algo fora do normal e mandar o alerta; não existe varredura automatizada das imagens em busca de rostos ou placas cruzando um banco de dados o tempo todo.
Essa diferença importa porque é justamente esse tipo de identificação biométrica remota em tempo real, em espaço acessível ao público, que o Marco Legal da Inteligência Artificial (PL 2338/2023) — sobre o qual a BDias já noticiou — trata como sistema de risco excessivo, com regras rígidas de exceção. Um programa como o Monitora Campinas, baseado em alerta humano e câmera compartilhada por decisão do próprio parceiro, opera numa categoria bem diferente da vigilância biométrica automatizada que motiva parte do debate regulatório em curso no país.
Conclusão
O crescimento do Monitora Campinas — de 27 para 2.062 câmeras em cinco anos — mostra um modelo de segurança pública que depende menos de a Prefeitura comprar e instalar equipamento, e mais de somar câmeras que empresas e condomínios já tinham por conta própria. Para quem administra um condomínio ou comércio em Campinas, a adesão é gratuita e o parceiro só arca com o que já mantém: seu próprio sistema de câmeras.